segunda-feira, 16 de maio de 2011

TELÔMEROS, MEDITAÇÃO E ENVELHECIMENTO

TELÔMEROS, MEDITAÇÃO E ENVELHECIMENTO.

Novos fatos científicos comprovam antigas práticas
 Elizabeth Quagliato
UNICAMP
O envelhecimento é uma perda progressiva da adaptabilidade de um organismo. À medida que o tempo passa fica cada vez mais difícil vencer os desafios, até que, cedo ou tarde, encontramos um desafio com o qual seremos incapazes de lidar com eficiência – então morremos!
Uma das características da senescência é o aumento crescente da taxa de mortalidade, que, no entanto, tende a diminuir após os 80 anos, talvez devido à sobrevivência seletiva de uma elite biológica. Esses sobreviventes que atingem a nona e a décima décadas de vida – também chamados de idosos velhos – foram selecionados por sua maior resistência a quaisquer desafios mortais que sua geração teve que enfrentar. Sua constituição genética pode até mesmo ser mais favorável do que a de muitos jovens, como demonstrou a pesquisa de Tanaka publicada em 1998. Outros fatores que, sem dúvida, também influenciam a longevidade, relacionam-se ao estilo de vida, inteligência e classe social.
O envelhecimento se associa a uma desaceleração da multiplicação celular e menor reposição das células que morrem. As estruturas relacionadas a essa reposição, permitindo a integridade dos cromossomos durante a divisão celular, são os telômeros, seqüências de DNA situadas em cada ponta dos cromossomos. A telomerase é uma enzima que adiciona uma repetição de DNA nos telômeros e, desse modo, restaura a capacidade de multiplicação celular e retarda o envelhecimento dos tecidos. Durante o desenvolvimento, a função da telomerase declina e os telômeros se encurtam, e, após centenas de divisões celulares, as pontas dos cromossomos ficarão danificadas, podendo os genes situados próximos aos telômeros serem deletados. A senescência celular – que se caracteriza pela perda da capacidade das células normais se dividirem – pode ser uma manifestação de perda da telomerase.
O grupo de Elissa Epel, psiquiatra da Califórnia (EUA), publicou na revista Psychoneuroendocrinology de 16 de novembro de 2005 um estudo no qual relacionou a baixa atividade da telomerase nos leucócitos – glóbulos brancos do sangue – a um maior risco de doença cardiovascular. Essa pesquisadora já havia relacionado o estresse psicológico a um encurtamento dos telômeros e a uma possível aceleração do envelhecimento, observando 39 mulheres saudáveis que cuidavam de filhos com doenças crônicas. O estresse foi quantificado pelo número de anos de cuidados ao filho e se relacionou diretamente com menor comprimento do telômero e da atividade da telomerase. O encurtamento dos telômeros observado nessas mães, comparado a 19 mulheres com filhos saudáveis, correspondeu a um envelhecimento de 9 a 17 anos.
Bischoff e colaboradores relataram em outubro de 2005 que o comprimento dos telômeros de 816 dinamarqueses, com idades entre 73 e 101 anos, apresentava nas mulheres uma correlação linear entre idade e comprimento, o que não ficou tão evidente nos homens. Isso pode se relacionar, segundo os pesquisadores, a uma expressão diferente da telomerase nos sexos ou à seleção feita pela mortalidade.
“A telomerase é uma enzima e existe a perspectiva real de que seja sintetizada. Com o auxílio de um vetor poderá ser introduzida na célula” pondera Andréa Guerra, médica geneticista da Universidade Estadual de Campinas. Daí, talvez a sua primeira indicação seja o tratamento da progéria (doença de Hutchinson Gilford), caracterizada pelo envelhecimento e morte precoces. “Tive um paciente com progéria que, aos 9 anos, tinha o aspecto de 90 e o tamanho de 9 meses. Aos 13 anos faleceu com um infarto do miocárdio”.
A progéria é uma doença rara e fatal, que serve como modelo de envelhecimento no ser humano. É causada por mutações no gene da lamina A (cromossomos 1 e 11) e as células desses pacientes, quando colocadas numa cultura, respondem mal à telomerase. Uma vez identificados os locais que estão danificados nesses cromossomas, essa afecção pode se tornar um modelo que permita, no futuro, estimular a produção dessa enzima pelas células.
“É comum que doenças raras sejam o ponto de partida para o tratamento de doenças mais comuns”, refere a geneticista. “A deficiência de 5-alfarredutase 2 causa falta de virilização de fetos do sexo masculino e uma redução do tamanho da próstata. Baseando-se nisso, a medicação mais usada atualmente para tratamento da hiperplasia da próstata é a finasterida, uma droga que inibe a 5-alfarredutase 2” , conclui Andréa Guerra.
Um aumento da telomerase tem sido relacionado também ao câncer, pois uma produção desenfreada de células pode resultar num tumor.
Para Lazar, professora de psiquiatria em Harvard, especializou-se em estudar pessoas que praticam yoga depois que ela mesma a utilizou para se recuperar de uma lesão esportiva. Praticante de meditação, essa especialista em biologia molecular começou a estudar cientificamente os efeitos dessa prática e concluiu que poderia retardar o envelhecimento cerebral.
Comparando a espessura do córtex cerebral de 20 pessoas que praticavam meditação com 15 que não meditavam, Lazar notou que era maior nas regiões que expressam atenção e emoções no grupo que meditava. A espessura do córtex cerebral nas pessoas mais idosas também era maior nos que meditavam. Concluiu que meditação, yoga e outras formas de exercício mental podem gerar modificações de regiões cerebrais relacionadas às emoções, cognição e bem-estar, além de retardar o envelhecimento cerebral. O trabalho foi apresentado em 14 de novembro, num congresso de Neurociências. Embora o número de pessoas analisado por Lazar não permita generalizar as suas conclusões, práticas como meditação e yoga contribuem certamente para a redução do estresse, que, sabidamente, é um fator importante na indução do encurtamento dos telômeros.
Oscilando entre a imortalidade e a senescência, a saga da telomerase e dos telômeros parece ser promissora – esses fatores, se controlados, poderão prolongar a vida e tratar muitas doenças degenerativas. Mas também é de suma importância reduzir o estresse, que acelera o encurtamento dos telômeros e o envelhecimento celular.


Um comentário:

  1. Olá,

    somos da assessoria de comunicação de um grupo de artesãos que desenvolvem objetos para ajudar a aliviar o stress e a ajudar na meditação, como japamalas, masbahas e kombolóis. Gostaríamos de convidá-l@ para uma visita em nosso blog e Facebook: http://maosocupadas.blogspot.com

    Um abraço,
    Ahow! Comunicação

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